A “parábola” de Ezequiel 47, onde há um rio que cresce no qual o profeta se vê entrando, em diversos níveis, até não conseguir mais manejá-lo, senão que é ele que agora é manejado pelo rio, é uma das mais elevadas ilustrações bíblicas do medir de Deus.
Deus sempre mediu aos seus homens, que é como passar revista aos soldados para a guerra, e também o faz com o seu povo. Em Juízes 3 Deus confessa que ele deixou certas nações hostis na Terra Prometida, e não as expulsou, com o propósito de ‘medir’ aos jovens que ainda não haviam conhecido a guerra.
Os Salmos estão cheios de menções do medir de Deus aos seus homens. Jó é um exemplo concreto do medir de Deus. E os seus amigos, quando pensaram que eles podiam servir de “vara de medir”, Deus os envergonhou com duras repreensões, até mesmo fazendo a Jó ser elevado, para aprova-los, uma vez que eles se humilharam como o fez Jó.
O medir de Deus de Jó, o fez paciente, tao paciente que ademais de Jesus, o mais alto exemplo de paciência na Bíblia é ele.
O medir de Deus a Davi levou-o a desistir da luxuria, a opulência, a extravagancia e a ambição, tornando o seu coração como o Deus. Firme, despojado de amor próprio, e totalmente disposto a viver para Deus.
Daniel, junto de outros jovens, estava sendo medido; todos eles “arrugaram”, menos Daniel.
Pedro achou que ninguém aguentaria tamanha dor que o Cristo profetizou que estaria já para sofrer, mas foi o primeiro em ser testado pelo Senhor resultando desaprovado na hora que mais devia lembrar de sua auto-confiança em não abandonar ao Senhor.
O Senhor enviava, porém sempre, medindo. Certa vez, depois de medir a uns de seus discípulos, lhes fez refletir com uma pergunta retórica como dizendo: “É vocês mesmo! Não podiam vigiar comigo nem uma hora?” Claro que Ele sabia disto. Eram eles, os discípulos que se acharam os melhores para acompanhar Jesus naquela hora.
João “se achou” capaz e experiente demais para seguir do lado do Mestre, e por quê não, até assumir o vicariado messiânico, e então, Jesus lhe confronta com palavras mais ou menos assim: “não pense que é agora que você vai nadar. É agora que você deve parar de nadar e deixar-se levar pelo rio”.
Todos os seus Discípulos o deixaram na pior hora de sua caminhada à cruz, e ai, Marcos não imaginou que entre a praia e a cruz, para Jesus a sua ação estava lhe marcando como não apto para o sagrado ofício de pescador de homens. Logo, junto a Paulo, parece haver imaginado que uma escapadinha (aparentemente à praia, enquanto os outros pescavam) não lhe desqualificaria tanto para o Ministério; mas a sua pequena folga veio a ser motivo da primeira divisão no Presbitério primitivo da igreja.
Jesus já tinha explicado: “Quem colocar a mão no arado, não deve olhar para trás”. Ser pastor, apóstolo, evangelista, mestre ou profeta parecem títulos e honrarias inquestionáveis, e bem gostamos de carregar a carteirinha com o título “AUTORIDADE RELIGIOSA”, mas qualquer um desses ministérios implica não “uma venda a prazo” senão uma “entrega voluntaria a ser escravo de Cristo” de por vida. E como os Apóstolos e Profetas fundamentam a igreja (Ef.2:2-22) eles devem ser o maior exemplo humano de entrega de todos os Direitos Humanos, nas mãos do Senhor da igreja.
Os homens podem não ver. Podem não intervir. Podem não saber o que fazer. Podem agir equivocadamente, mas Deus está medindo a todos, e a cada um de nós. Pedro imaginou que uma “política de boa vizinhança” ou um ato seu de generosidade e diplomacia não afetaria a fidelização do Evangelho no meio cultural da época, mas então, Paulo é usado pelo Senhor para medí-lo, e reprende-lo publicamente.
Tantos falsos e fraudulentos apóstolos nos dias de hoje pensarão que a sua prosperidade material; a sua fama; o seu futuro aparentemente seguro e exitoso lhes salvará; mas Deus os está medindo…
Um pregador “evangélico” pela TV ataca ao outro, e este ao um terceiro, e imaginam estarem suficientemente autorizados para medir, e adequados, justificados e imunes como para poder dirimir, inocentando-se e condenando aos demais, enquanto “Deus lá de cima” está olhando e vendo, e como diz Lamentações 3:34-36, DEUS NÃO APROVA o que eles fazem, ainda quando a maioria enganada os siga.
Muitos trabalhadores chamados para a Seara do Senhor, enquanto o Seu Senhor demora, espancam aos seus irmãos e os maltratam, tirando proveito dos mais débeis, e até se apropriando da Seara do Senhor. São estes os que enterram o que Deus lhes encomendou, pensando salvar-se, em vez de pensar em agradar ao Seu Dono e Patrão.
As únicas principais medidas de Deus são O ESPÍRITO E A PALAVRA, e é por isso que os Apóstolos são aqueles que se dedicam exclusivamente à Palavra e à Oração, porque a comunhão com a Palavra escrita, e a pessoa de Cristo como Palavra, e a comunhão na oração, que é uma comunhão no Espírito, os faz ministros competentes do Novo Pacto, que em outra matéria explicarei que Ele é.
Um apostolado genuíno não precisa de promoção, dinheiro, e posição, senão de RECONHECIMENTO da parte dos outros ministérios e da igreja. Quando a igreja o reconhece, o medir de Deus se intensifica na vida da igreja, tanto para levar-nos às profundezas do rio de Deus, quanto para que nos conheçamos adequadamente e assim possamos nos tornar em ministros de reconciliação apropriados, para gloria do Senhor e extensão de Seu Reino na Terra.
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